sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Curitiba: encontros e desencontros, poéticos.

Não curto torcidas de futebol da macro mídia. Bah!
Em 199... desisti de viver de poesia: estava em Curitiba. Não suportaria ir para Rio ou São Paulo, nem voltar pra Porto Alegre. avante. Daí o jeito foi entrar na faculdade. Poeta em Curitiba, naquela época (não sei como as coisas estão agora), ou vivia de bar em bar arrastando farrapos, ou era funcionário público, ou bancário, professor, essas coisas. Viver de poesia, só em Porto Alegre, mas daí ficava nos limites do RS. Foi difícil ganhar o próprio sustento com poesia em Curitiba, ainda que Alice tenha sido secretária de cultura da cidade, e aprovou a impressão de um belo livro origami. Mas, o cotidiano na cidade arrasou com o meu ânimo. Conto detalhes, ou não, em outro momento. Entrei pra Fap e virei musicoterapeuta. Concluí a graduação pra sair de Curitiba, aquela cidade maravilhosa a mil metros do nível do mar, cercada pela serra que amo. Às vezes, um mês sem Sol: nublado, chuva fina, chuva grossa, chuva com vento, chuva sem vento, neblina e nublado. Um mês assim. Sobrevivemos com banhos gelados nas cachoeiras da serra nos invernos à noite, ou madrugada. Banhos daqueles que parecem rasgar a base da coluna, rasgar as carnes, já sentiu isso?! Sobrevivemos com seus quase duzentos restaurantes "vegetarianos" e sua campanha contra transgênicos, campanha assumida pelos produtores rurais do estado, parabéns, por outro lado, segundo maior colégio eleitoral do Collor em 199... Chorei.  Morava no centro, dava pra ouvir os urros da torcida no Cabral, apavorante. Demorei uma semana para definir a origem daqueles sons. Saí de Curitiba e fui pra Amazônia que me trouxe de volta pro sul. Estamos aqui, hoje, perto do mar e sem futebol. Ouço o rugido do mar quando o vento vem nordeste, nesta época do ano. Um pouco mais a leste, no inverno.

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